Hoje, por coincidência, fiz a pé exactamente o mesmo caminho que fiz há muito tempo atrás, quando tinha aí uns 18 anos. Com a diferença de hoje o ter feito sozinho.
As pedras da calçada ainda devem ser as mesmas, mas naquele dia este caminho levou-me muito mais longe do que hoje.
Naquela altura ainda não tinha tido nenhuma namorada. Tinha tido muitas paixões, desde muito cedo. Ainda hoje me lembro por quem tive esse sentimento pela primeira vez. Andava eu na 1ª classe. Por azar, por falta de jeito ou por outro motivo qualquer, nunca tinha conseguido conquistar nenhuma das pessoas que amei.
Naquele dia tinha ido a um bar com música ao vivo com um grupo de amigos. A música era calma e sedutora. O pouco dinheiro que tinha deu para pagar a entrada e ter direito a uma ou duas bebidas, já não me lembro. Devo ter bebido qualquer coisa alcoólica, pois gosto daquela sensação de pré-inebriamento. Fazia-me ficar um pouco mais solto. Os pares começaram a formar-se e a dançar. Alguns já eram compromissos antigos, outros menos.
Nestas idades os namoros são experiências. Há uns que começam, mas que nunca deveriam ter começado. Outros que terminam com um desgosto de morte para uma das partes. Outros sem desgosto de parte nenhuma. Havia uma rapariga nestas circunstâncias. Estava livre. Mas, talvez por hábito, ou por já não saber estar sozinha, queria estar com alguém. A pessoa de quem eu gostava não estava. Ou se calhar nem havia ninguém. Talvez estivesse a esquecer alguém. Mais um amor fracassado. Já não me lembro. O certo é que dei comigo a dançar com aquela miúda. Já a conhecia há muito mas ela nunca tinha despertado a minha atenção. Pelo menos a esse nível de sentimento.
Ela ofereceu-se um pouco na dança. E eu deixei-me levar, embalado pela música, mas com um sentimento ambíguo. Tinha nos braços uma mulher que não amava e que sentia que o mesmo se passava com ela, mas por outro lado sentia que podia ir até onde quisesse (nessa altura este lugar não passava muito para além de um beijo. Pelo menos para mim, um iniciado nestas matérias).
As danças foram passando e a vontade de experimentar o que nunca tinha feito começou a tomar conta de mim. E dela. Lembro-me de sair do bar e termos combinado que a levaria a casa. E fiz então o caminho que hoje repeti.
Sabia onde iria terminar o caminho, a menos que mudasse de ideias. Ia levar-me a um lugar onde nunca tinha estado mas que há muito desejava ir com a rapariga dos meus sonhos. Nunca lá quis ir com outra que não fosse essa, mas naquele dia desisti deste princípio. Perante uma perspectiva tão real, deixei-me levar pela curiosidade, e não só.
Foi assim que dei por mim, à porta da casa dela, despedindo-me com um beijo na boca perlongado. O meu primeiro beijo… Foi tão estranho. Pensava que era uma coisa melhor. Em vez de estar eufórico, com o meu amor nos braços, estava preocupado que ela descobrisse que eu era um principiante. Não estava confortável com a situação e já só queria era ir-me embora. O até amanhã enfim chegou e no dia seguinte, tirando o facto de ter granjeado mais algum respeito por parte da malta, continuou tudo na mesma. Continuei à espera de um primeiro beijo. Daquele em que o tacto e o olfacto são insignificantes comparados com o paraíso que é sentir-se amado pela mulher amada.
30-1-2016
Sem comentários:
Enviar um comentário