Antigamente dizia-se de uma máquina que se desgovernava, que tinha ganho vida própria. Hoje já temos máquinas com vida própria: os computadores. Apesar de terem sido criados por nós, assemelham-se, em parte, à criação Divina. Tal como a semente que se lança à terra, brota e cresce sem sabermos como, ou como um de nós se forma dentro da barriga de outro, assim se está a desenvolver um novo ser que talvez já nem criação nossa o possamos chamar.
Receio o que uma inteligência muito superior à nossa possa vir a fazer. Que ideias passarão pela sua desmedida cabeça.
Temos a arrogante convicção de que a última palavra será nossa. De que está ao alcance de um clique desligarmos esta máquina. Por isso podemos deixá-la desenvolver-se até concluirmos que nos está a ser prejudicial. Nessa altura desligá-la-emos.
Será que vai ser assim? Não acredito. Com o ambiente está a acontecer o mesmo. Estamos a dar cabo dele. E seria relativamente fácil parar com a sua destruição. Veja-se o que aconteceu na pandemia. Não o fazemos porque isso implicaria diminuir o nosso conforto, impedir pessoas de trabalhar, gastar mais tempo nas deslocações, deixar empresas falir, passar fome. Vamos adiando o problema, empurrando-o com a barriga, até que venha a tornar-se insustentável. Mas, nessa altura, será tarde demais.
Com a IA vai acontecer o mesmo. Não vamos desligar o botão. Vamos esperar mais um bocadinho. Porque ela nos dá muito jeito. Mais tarde desligá-la-emos. Quando ela tomar conta de nós faremos isso. No entanto, o que vai acontecer é que não a iremos desligar. Ela vai tomar conta de nós com a nossa permissão. Ou melhor, por nossa imposição. Vamos subjugar-nos a ela como seus escravos. Tal e qual como nos acontece perante as redes sociais.
Não sei quantos anos vamos sobreviver a isto. Talvez até se resolva o problema ambiental com recurso à IA. E talvez esta venha a ser esperta o suficiente para fazer com que, para não terminar consigo, arranje forma de não terminar com a Humanidade.
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